ESSA ELITE BRASILEIRA NOJENTA – A revolta da “patroa” Danusa Leão com os direitos das domésticas

A revolta da “patroa” Danuza Leão com os direitos das domésticas

Postado em: 26 mar 2013 às 14:03

Tal qual os senhores de escravos do século XIX, que diziam que os negros não poderiam ser libertados, pois seriam entregues à própria sorte, a colunista Danuza Leão argumenta que a PEC das Domésticas na verdade pune tais profissionais, uma vez que, com maiores direitos trabalhistas, como FGTS e adicional noturno, elas serão dispensadas pelas patroas

No século XIX, os escravocratas tinham um discurso na ponta da língua. Negros não podiam ser libertados porque, sem a proteção dos fazendeiros, que, afinal de contas, lhes devam abrigo e alimentação, seriam entregues à própria sorte. Neste domingo, aquele velho discurso ecoou na Folha de S. Paulo, na coluna da escritora Danuza Leão, que já viveu seus dias de glória como socialite.

No texto “A PEC das empregadas”, Danuza escreve sobre o projeto de lei aprovado em primeiro turno pelo Senado Federal, que amplia direitos de tais profissionais, com a exigência de benefícios como o recolhimento de FGTS e o pagamento de FGTS. Ela prevê que o projeto, se não for bem discutido, colocará muita gente no olho da rua, uma vez que as patroas da classe média alta não conseguirão manter o privilégio – que, aliás, não existe em boa parte do mundo civilizado, que Danuza bem conhece.

CONHEÇA O PROJETO E ENTENDA O QUE MUDA COM A PEC DAS DOMÉSTICAS

Recentemente, Danuza já havia escrito que viajar a Paris e Nova York havia perdido a graça, porque havia o risco de dar de cara com o porteiro do prédio (leia mais aqui). Aparentemente, a socialite ainda não se acostumou com um Brasil em que as fronteiras sociais se movem e não são as mesmas do seu tempo.

Leia, abaixo, a coluna de Danuza:

A PEC das empregadas

Essa Pec das empregadas precisa ser muito discutida; como foi mal concebida, assim será difícil de ser cumprida, e aí todos vão perder.

A intenção de dar as melhores condições à profissional, faz com que seja quase impossível que o empregador tenha meios de cumprir com as novas leis; afinal, quem vai pagar esse salário é uma pessoa física, não uma empresa.

Vou fazer alguns comentários sobre as condições -diferentes- em que trabalham as domésticas aqui e em países mais civilizados.

danuza leão domésticas preconceito

Danuza Leão é o símbolo vivo de uma elite inculta, egoísta e vil (Foto: Reprodução)

Vou falar da França e dos Estados Unidos, que são os que mais conheço. Lá, quem mora em apartamento de dois quartos e sala, é considerada privilegiada, mas nenhum deles tem área de serviço nem quarto de empregada (costuma existir uma área comunitária no prédio com várias máquinas de lavar e secar, em que cada morador paga pelo tempo que usa); uma família que vive num apartamento desses tem -quando tem- uma profissional que vem uma vez por semana, por um par de horas.

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É claro que cada um faz sua cama e lava seu prato, e a maioria come na rua; nessas cidades existem dezenas de pequenos restaurantes, e por preços mais do que razoáveis.

Apartamentos grandes, de gente rica, têm quarto de empregada no último andar do prédio (as chamadas “chambres de bonne”, que passaram a ser alugadas aos estudantes), ou no térreo, completamente separados e independentes da família para quem trabalham.

Essas domésticas -fixas e raras- têm salario mensal, e sua carga horária é de 8 horas por dia, distribuídas assim: das 8h às 14h (portanto, 6 horas seguidas) arrumam, fazem o almoço, põem a casa em ordem. Aí param, descansam, estudam, vão ao cinema ou namoram; voltam às 19h, cuidam do jantar rapidinho (lá ninguém descasca batata nem rala cenoura nem faz refogado, porque tudo já é comprado praticamente pronto), e às 21h, trabalho encerrado.

Mas no Brasil, muitos apartamentos de quarto e sala têm quarto de empregada, e se a profissional mora no emprego, fica difícil estipular o que é hora extra, fora o “Maria, me traz um copo de água?”. E a ideia de dar auxílio creche e educação para menores de 5 anos dos empregados, é sonho de uma noite de verão, pois se os patrões mal conseguem arcar com as despesas dos próprios filhos, imagine com os da empregada.

Quem vai empregar uma jovem com dois filhos pequenos, se tiver que pagar pela creche e educação dessas crianças? É desemprego na certa.

Outra coisa esquecida: na maior parte das cidades do Brasil uma empregada encara duas, três horas em mais de uma condução para chegar ao trabalho, e mais duas ou três para voltar para casa, o que faz toda a diferença: o transporte público no país é trágico. Atenção: não estou dando soluções, estou mostrando as dificuldades.

Na França, quando um casal normal, em que os dois trabalham, têm um filho, existem creches do governo (de graça) que faz com que uma babá não seja necessária, mas no Brasil? Ou a mãe larga o emprego para cuidar do filho ou tem que ser uma executiva de salário altíssimo para poder pagar uma creche particular ou uma babá em tempo integral, olha a complicação.

Nenhum país tem os benefícios trabalhistas iguais aos do Brasil, mas isso funciona quando as carteiras das empregadas são assinadas, o que não acontece na maioria dos casos; e além da hora extra, por que não regulamentar também o trabalho por hora, fácil de ser regularizado, pois pago a cada vez que é realizado? Se essa PEC não for muito bem discutida, pode acabar em desemprego.

Leia, ainda, o texto de Eduardo Guimarães em resposta à Danuza Leão

Danuza Leão é o símbolo vivo de uma elite inculta, egoísta e vil

Há um setor da sociedade que simplesmente não consegue enxergar e aceitar o processo civilizatório em que o Brasil mergulhou após os seguidos desastres administrativos, econômicos e sociais que governos medíocres, vendidos e ladrões lhe impuseram até 2002.

Talvez o mais eloquente símbolo do processo civilizatório em curso no Brasil seja estar se tornando raro famílias de classes média e alta terem “empregadas domésticas” que trabalhem de sol a sol por ninharias que não pagam refeição em um bom restaurante.

Agora, após séculos de verdadeira escravidão a que mulheres e até meninas pobres se submeteram trabalhando nessas condições para famílias de classe social superior, o Congresso criou vergonha e estendeu aos trabalhadores domésticos os direitos de todos os outros.

Um dos muitos avanços sociais para a maioria empobrecida do nosso povo que os governos Lula e Dilma vêm proporcionando está na raiz do ódio que a elite tem deles, pois acabou a moleza de madames como a colunista da Folha de São Paulo Danuza Leão terem escravas.

Eis que a socialite-colunista, que já andou vertendo seu ódio de classe devido à conquista dos aeroportos e viagens internacionais pelas classes “inferiores”, agora se revolta com os direitos trabalhistas serem estendidos também às “domésticas”.

Para tanto, como bem anotou o site Brasil 247, a socialite-colunista se valeu dos “argumentos” que há mais de século os escravocratas brasileiros usaram para manter este país como o único em que persistia a escravidão de negros.

Os escravocratas diziam que se os negros fossem libertados, seriam os principais prejudicados porque não conseguiriam se sustentar sem a “proteção” do senhor de escravos.

Agora, uma centena e tanto de anos depois, a colunista da Folha diz que dar direitos trabalhistas a domésticas seria ruim para elas porque, dessa forma, não conseguirão emprego.

Essa mulher é colunista do dito “maior jornal do país”. Espanta como alguém tão desinformada pode ter espaço em um veículo de projeção nacional para provar por escrito sua ignorância desumana.

Danuza é o retrato de uma elitezinha minúscula, iletrada, desinformada, egoísta, racista, sonegadora e pervertida. A sua diarreia mental na Folha deste domingo (texto acima) não me deixa mentir.

No Brasil, com a revolução social da década passada – desencadeada a partir de 2004 – há cada vez menos pessoas dispostas a realizar trabalhos domésticos, sobretudo devido à falta de direitos trabalhistas e aos salários de miséria que gente como Danuza quer pagar para ser servida 24 horas por dia em troca de alguns trocados, um prato de comida e uma cama.

Se a elite que Danuza simboliza não fosse tão desinformada, iletrada, delirante e egoísta, saberia que o IBGE vem detectando que é cada vez menor o número de pessoas dispostas a atuar em tarefas domésticas.

No ano passado, por exemplo, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, apenas 6,6% dos brasileiros atuaram em serviços domésticos. Foi o resultado mais baixo desde 2003.

Danuza tenta preservar a escravidão no Brasil usando um argumento vazio, como se vivesse na época de seu ídolo Fernando Henrique Cardoso. Ela não sabe que a escassez de trabalhadores domésticos elevou o poder de barganha deles

Os salários dos empregados domésticos crescem sem parar desde 2003 e o nível de formalização (carteira assinada) é hoje o mais alto da história.

Nos últimos 12 meses, o salário médio de uma empregada doméstica aumentou 11,83%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do País, também apurado pelo IBGE.

Segundo o coordenador da pesquisa do IBGE, “Por causa da oferta baixa e da demanda crescente o preço das empregadas domésticas chegou num patamar em que muitas famílias estão abrindo mão do serviço todos os dias e optando por ter uma empregada duas vezes por semana, por exemplo, para não configurar um vínculo”.

Segundo o estudo, “A mudança na situação do mercado de trabalho doméstico foi sustentada por dois motivos: aquecimento na criação de postos de trabalho e melhora na educação do trabalhador. Esses fatores fizeram com que os trabalhadores domésticos conseguissem migrar para outros ramos de atividades”.

Mais dados da PME, do IBGE: “Entre 2003 e 2012, o porcentual de trabalhadores analfabetos ou com até oito anos de estudo recuou 15,5%. Já a quantidade de profissionais com 8 a 10 anos de estudo aumentou 27,7%, enquanto a parcela dos profissionais cresceu 139,4% no período”

A quantidade de trabalhadores domésticos, por conta disso, vem caindo, em média, 2,7% ao ano.

O coordenador da pesquisa do IBGE ainda explica que “Com a melhoria da educação e oportunidade de trabalhar em outros nichos, as trabalhadoras estão conseguindo se inserir principalmente nos serviços prestados a empresas, uma parte mais voltada para terceirização”.

Já o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho explica que “Em geral as pessoas não gostam de ser empregadas domesticas. Sempre que possível elas deixam essa profissão”. E as razões disso, a diarreia escrita de Danuza explica.

E o pior do texto dessa senhora é quando tenta fazer uma analogia entre os serviços domésticos no Brasil e nos países ricos.

A pesquisa do IBGE mostra que a mudança na estrutura do emprego doméstico no Brasil o tornará mais europeizado e americanizado. Segundo os pesquisadores do IBGE, “Em países de economia mais madura ter um trabalhador doméstico todos os dias da semana é considerado luxo. Quem trabalha no setor, por sua vez, se especializa e, obviamente, cobra mais”.

Minha filha Gabriela (26) vive há quatro anos em Sydney, na Austrália. Para pagar os estudos trabalhou como babá, ganhando o equivalente a 7 mil reais por mês, viajando ao exterior toda hora, comprando carro e trabalhando apenas seis horas por dia.

Nos países civilizados, empregados domésticos fazem muitas exigências e recusam vários serviços, como recolher roupas íntimas usadas e imundas que socialites deixam no box do banheiro e outras humilhações.

“A tendência é haver pessoas especializadas em serviços domésticos. Não vamos ter analfabeto fazendo esse trabalho, como era no passado. Teremos pessoas com mais escolaridade nessa função com uma remuneração mais elevada”, diz o economista Barbosa Filho.

Danuza, que como toda madame fútil quer se mostrar uma “expert” nas condições sociais e econômicas de países ricos, viaja a eles e não consegue entender o que vê. Assim, escreve as cretinices desinformadoras que escreveu naquele que se diz “maior jornal do Brasil”.

Brasil 247

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NOTÍCIAS DA METRÓPOLE

Metrópole, da língua grega metropolis (μήτηρ, mētēr = mãe, ventre e πόλις, pólis = cidade), é o termo empregado para se designar as cidades centrais de áreas urbanas formadas por cidades ligadas entre si fisicamente (conurbadas)[2][3] ou através de fluxos de pessoas e serviços[2] ou que assumem importante posição (econômica, política, cultural, etc.) na rede urbana da qual fazem parte (correspondentes, na classificação do IBGE,[2] às metrópoles nacionais e regionais).

Aqui na metrópole hoje amanheceu um dia cheio de chuva e parece que assim será o dia…

Vim para o trabalho como todo dia faço, há exatamente 23 anos , pensando o quanto a vida aqui na metrópole mudou…

Passava por aqui na Praça das Andorinhas e tinha  Andorinhas, passava na catedral e lá estava a catedral, passava no largo do rosário e lá …..estava…..o largo do Rosário!!!!!!!!!!!!

Agora comprei uma máquina fotográfica que só o avanço e a modernidade pode nos proporcionar , e sabe que agora estou olhando mais pro céu , prá cima…e sabe que descobri que existe outra cidade acima dos nossos olhos????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!! É verdade…estruturas antigas nos prédios novos…figuras geométricas maravilhosas que conservam os desenhos da antiguidade… essa máquina moderna me fazendo ver o passado…..

Infelizmente esse meu novo olhar na metrópole não é tão cheio de boas notícias assim…

A Praça ou o Largo das Andorinhas foi tomado por um carrinho  de cachorro quente, uns nóia como tratam os viciados em crack , uns homens que comandam prostituição e nada de  andorinha …

O Largo do Rosário palco das lutas democráticas….se tornou um nada…..com uma banquinha de revistas e uma cópia do largo do século retrasado , porém as lâmpadas já foram quebradas e não repostas!!!!!!!!!!!!!!!!!! E o Largo da Catedral…bem o largo da catedral…………

Continua do mesmo jeito…abrigando os que não tem o que fazer , os que tem o que fazer…..os que passam e fazem o nome do Pai…os que fotografam para posteridade…..

E outros que param com o olhar no nada e pensam como eu : Como a metrópole já foi melhor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bom dia …Bora pro trabalho Chicão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

UM DOS MAIORES CRONISTAS DO BRASIL – Lourenço Diaféria

Uma crônica de Lourenço Diaféria

Literatura – A Arte da Crônica – Crônicas Comentadas

Minha cidade, em janeiro
Lourenço Diaféria  

O que minha cidade tem de mais pulcro e legítimo é o rosto da moça atrás do vidro fumê do 18º andar do edifício da companhia de investimentos (1). O rosto aparece às 17h55min, de segunda a sexta, quando ela espia a calçada antes de bater o cartão de ponto no relógio. O namorado da moça tem uma moto de milhões de decibéis e faz tantas loucuras no cruzamento da avenida que, em certos momentos, parece que vai bater as asas de metal e se transfigurar num anjo barbudo e entrar no bairro do Paraíso, para tomar um sorvete de tutti-frutti com duas casquinhas (2).

O que minha cidade tem de mais operoso e legítimo é o crioulo de capacete ocre que enfia a ponta do martelo mecânico na viga de concreto e rompe o útero da Rua das Palmeiras, onde corre um braço subterrâneo do Metrô. O capacete do crioulo lembra um sol boiando no suor da cara e, quando a tarde cai, o capacete fica de riba como porongo decepado em cima do balcão, enquanto o garoto do bar serve um traçado ao som do liquidificador.

O que minha cidade tem de mais vetusto e legítimo é o fantasma do coronel Arouche que guardou suas emas, jaçanãs, pacas e bacamartes na arca do passado e transita incógnito e invisível por entre as mesinhas de pinguços e desesperados com olhos cor de quitinete. O coronel Arouche por hábito arrasta as botas sujas de lama do tempo em que o Anhangabaú dava curimbatá e a cidade tinha pontes de madeira, onde hoje ficam os Correios e Telégrafos. O coronel Arouche é transparente e se encontra com o brigadeiro Tobias na sacada solitária do prédio Martinelli nas noites de lua e garoa.

O que minha cidade tem de mais amargo e legítimo é o corpo em decúbito dorsal, ainda não identificado, coberto com a última página do vespertino (3), e um pára-choque de jamanta com tinta fresca vermelha: cuidado, não encostar que é sangue.

O que minha cidade tem de mais imperceptível e legítimo é o violino que toca de manhã cedo na Rua Conselheiro Furtado tangido por um chinês de Formosa que vende penas de nanquim na Liberdade e escreve, em hieróglifos, poemas para um velhinho de barba fina que tem 98 anos, nasceu em Kioto, e adora doce de feijão, peixe cru e forró.

O que minha cidade tem de mais pardo e legítimo são os paquidermes dos edifícios que ressonam rente ao Minhocão e cujo pescoço alado se atira sobre Santa Cecília, Bexiga, Vila Buarque, até esmorecer diante da torre de São Geraldo das Perdizes.

O que minha cidade tem de mais acordado e legítimo é o Ponto Chic, onde a Polícia, a malandragem e a boemia confraternizam e meditam sobre a glória passageira das valentias, dos sanduíches e do chope gelado.

O que minha cidade tem de mais revolucionário e legítimo são as conversas fiadas dos bares de Vila Madalena, onde um garçom de vanguarda bolou uma perfeita bomba de efeito retardado com meia dose de dor-de-cotovelo, algumas gotas de amargo, dois dedos de esperança disfarçada, e alegria q.s.p. encher o coração.

O que minha cidade tem de mais álacre e legítimo é o alarido dos mochileiros, flautistas, barraqueiros e fugitivos no Terminal Rodoviário do Jabaquara (4), ao dizerem adeus no sábado de manhã, em busca do mar do Sul, e voltando domingo à noite tostados de cerveja, sol, areia e mariscos, até empalidecerem outra vez no cotidiano das lojas, armarinhos, butiques, bancos e guichês.

O que minha cidade tem de mais fácil e legítimo é esta disponibilidade para aceitar as coisas como são – a vida e a morte – e concluir que tudo é possível: sardas, celulite, bronze, paralelepípedo, cartório de protesto, bala perdida, impropérios, maldições, arrependimentos, conversões, penitências, desuniões definitivas, casamentos eternos, bodas de ouro, tombos, porões, amizades, ervas medicinais, macumbas, crediários, a estátua de Anchieta, o Pátio do Colégio, os mascateiros da General Carneiro, o lauspereneem Santa Ifigênia, os sinos de São Bento, e o sol no merídio iluminando colarinhos sociais.

Bazar de coisas, caos e golfo, cartão-postal da pressa, porto de ternuras, buquê de pamplonas, angélicas, azaléias, fuligens e augustas, moquifos e tugúrios, campeonato mundial entremeado de pernetas e fraturas, solidões cercadas de risos e de festas, macarronadas infinitas, pizzas, chaminés e a via-láctea de fumaça corrigindo as estrelas verdadeiras.

Mas, por fim, eu revelo: o que esta cidade tem mesmo de mais fiel e legítimo é o amor e a raiva deste amante anônimo, quando a cidade finge não me ver no meio do povo que a habita (5).

texto extraído do livro “A morte sem colete” – A reprodução deste texto tem fins exclusivamente didáticos.

Notas: (1) O narrador-repórter atenta para o banal, foca fatos efêmeros – (2) Usa o humor para provocar o leitor a recuperar sua capacidade crítica – (3) O narrador-repórter dá mais importância aos fatos do que às personagens – (4) Os fatos acontecem aos excluídos que “se equilibram nos muros da vida” – (5) Cenário urbano paulista.

Comentários: A base de suas crônicas é o cenário urbano paulista. O cronista percorre sua cidade, observa e recolhe fatos, e transforma seu texto num testemunho do nosso tempo. Como narrador-repórter atenta para o banal, foca fatos efêmeros que dificilmente se repetirão e acrescenta emoção à reportagem, envolve-se na narrativa, levando consigo o leitor. Dá mais importância aos fatos do que às personagens. Na maioria das vezes, esses fatos acontecem aos excluídos, àqueles que “se equilibram nos muros da vida”, e também nas relações entre as classes dominantes e dominadas. O humor não é uma ferramenta para aliviar a tensão dos textos, mas para provocar o leitor a recuperar sua capacidade crítica, sua capacidade de indignar-se. Assim, provoca nele o riso irônico, de indignação, em vez do riso de deboche. Por meio da brincadeira tenta superar a realidade amarga. Para variar a estrutura de seus textos, usa formas que se aproximam da poesia ou da fábula. (Por Alexandre F. Gennari)

Fonte: Este texto foi elaborado a partir dos estudos de Jorge de Sá sobre a crônica como gênero literário, parte integrante do livro “A Crônica” – Editora Ática – Série Princípios.

DESCOBRINDO OS CAMINHOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Procuro um caminho…

Por desfigurar meu caminho, traduzindo…por abandonar meu caminho , abandonei alguns caminhos e o mais dolorido foi perder você!!!!!!!!!!!!!!

Você sempre me acompanhou, cheio de erros pois você nunca parou para se preparar melhor para  conceber de fato , mas enfim eis me aqui de volta!!!!!!!!!!!!

E como é difícil esse retorno , parece que você me abandonou de uma forma tão decidida que me sinto agora um filho prodigo que jamais se aproximará dos seus eternos conhecidos.

E nesse meu retorno , o início é como não conhecer caminho nenhum , por mais que eu tente…as frases são todas….todas sem sentido!!!!!!!!!

Vou atrás de todos os compêndios que dizem e prometem milagres , mas nada…parece que o caminho não existe mais….ele simplesmente me abandonou….

Mas como sempre sou insistente , e eis me aqui tentando de novo , persistindo…

Estou de volta   ….    e acho que vou conseguir   … esse é o meu primeiro texto inteiro da volta….muito prazer…Você é o meu primeiro texto do retorno……Bem Vindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

                                    Xikoloco  –    abril/2013

um poema por semana

mar 312013

[Quando vier a primavera,]

Recitado por Pedro Lamares, Ator

Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro (1889-1915)

Poesia
Alberto Caeiro; edição Fernando Cabral Martins, Richard Zenith
Assírio & Alvim