GRANDES NOMES DO BRASIL – ELOMAR

Biografia
PORTEIRA Oficial de Elomar Cor-el Curriculum Operae Modus Vivendi Discografia
O Sr. Ernesto Santos Mello, filho de tradicional família de fazendeiros da Zona da Mata do Itambé e da região do Mata – de – Cipó de Vitória da Conquista, casou-se com D. Eurides Gusmão Figueira Mello, de ascendência hebraica (cristão novo da linhagem Figueira e Azeitum). Por dificuldades econômicas ou mesmo por costume da época, quiçá, habitaram nos primeiros tempos a velha casa da Fazenda Boa Vista, propriedade de seus avós Virgílio Figueira e D. Maricota Gusmão Figueira. Ali, naquela velha casa, onde pousaram levas e levas de retirantes flagelados das grandes secas cíclicas do sertão nordestino, aos 21 de dezembro de 1937, nasceu Elomar Figueira Mello, primogênito do jovem casal .

Aos três anos de idade, em face da fragilidade da saúde do menino, seus pais alugaram, na cidade de Vitória da Conquista, uma pequena casa numa rua chamada Nova. Enquanto seu pai se ausentava por longos períodos na lida de tanger boiadas, D. Eurides, ao som da velha máquina de costura, ganhava o pão, ao tempo em que embalava o frágil menino. Aos sete anos de idade, seus pais deixaram definitivamente a vida urbana, transferindo-se para o campo, onde Elomar com seus irmãos Dima e Neide, perpassou toda infância pelo São Joaquim, Brejo, Coatis de Tio Vivaldo e Palmeira de Tio Kelé. No São Joaquim, berço da 2″ infância, cursou parte do primário escolar, completando este e o ginasial na cidade no ano de 1953.

No ano seguinte, a contragosto seu, deixa o curral, o roçado e os folguedos da vida pastoril, para ir cursar o científico no Palácio do Conde dos Arcos em Salvador. Em 1956, interrompe o curso e volta à terra natal para servir ao exército, passando a morar com sua avó paterna na mesma fazenda, vizinho bem próximo da velha casa onde nasceu. A partir dos dezoito anos, a casa de mãe Neném, sua avó, será sua morada toda vez que voltar de férias da capital, embora visite constantemente sua avó Maricota na cidade e seus pais no São Joaquim. Esta preferência de habitação deve-se ao fato único de mãe Neném, em sendo católica apostólica, ter sido mais tolerante com o tipo de vida do moço poeta, de perfil boêmio. Em 1957, novamente em Salvador, conclui o científico. Em 1958, perde o .vestibular de geologia, face o já grande enredamento com a música nos meios intelectuais dali. Em 1959, faz o vestibular para arquitetura. Conclui o curso em 1964, após o que, incontinenti, regressa de modo decidido e definitivo ao Sertão para, tendo a arquitetura como suporte econômico mínimo, escrever sua obra.

A música e a poesia essencial, com a força de seus encantamentos, despertaram o compositor numa idade muito tenra, e o poeta, um pouco mais tarde. Aos sete anos, no São Joaquim, os primeiros contatos inevitáveis com a música profana de menestréis errantes, como Zé Krau, Zé Guelê e Zé Serradô, tem maior importância, destacando-se o primeiro pela forma esdrúxula de suas parcelas ou pelas narrativas épicas amargas que já despertavam profundos sentimentos na alma do embrionário compositor.

É bom assinalar que até então só tinha ouvido a música eclesiástica do hinário cristão, do culto batista evangélico, fé única de sua família da parte de sua mãe.

Assim que ouviu os primeiros acordes de viola, violão e sanfona e as primeiras estrofes das tiranas dos côcos e parcelas dos três Zés, têm início as primeiras fugidas de casa, pelas bocas-de-noite, não só para ouvir como também, por excelência, para aprender os primeiros tons no braço do violão, o qual será, a partir dali, seu instrumento definitivo. Note-se bem que estas proezas davam-se às voltas e muito às escondidas, pois que não só para seus pais e parentes, como também para toda sociedade de então, labutar com música era coisa para vagabundo. Tocador de violão, viola ou sanfona, era sinônimo de irresponsável. As primeiras composições datam dos onze anos. Já a partir dos sete , oito anos quando vinha à cidade, toda noite ia à casa do Tio Flávio ouvir no rádio uma música estranha executada com instrumentos estranhos diferentes do violão , viola , sanfona etc… Música esta que mal começava logo, terminava. Anos mais tarde ao chegar a capital descobre que aquela música era a protofonia de “O Guarani” e quando mortificado também descobre escrita musical, a partìtura e o que mais lhe causou espanto: a existência de milhares de músicas, escritas por milhares de compositores que viveram a partir de centenas de anos passados.

Aos 17 anos, já lê bem e mal escreve. Começa, então, nesta idade propriamente as composições literárias e musicais numa seqüência interminável, mas sem ainda ter uma linha definida. Destas Calendas são: Calundu e Kacorê, Prelúdio nº Sexto, Samba do Jurema, logo após, Mulher Imaginária, Canção da Catingueira e abertura de O Retirante. Em 1959-1960, começam a lhe chegar idéias de trabalhos maiores em envergadura e vai compondo aleatoriamente o ciclo das canções. Contudo, sempre preso à mesma temática, as vicissitudes do homem, seus sofrimentos, suas alegrias na terrível travessia que é a sua vida e, sobretudo, seu relacionamento com o Criador. Isto, é claro, a partir do seu elemento circunstancial, o Sertão, sua pátria. Verdadeiramente, onde vive.

Em 1966, já arquiteto e morando no sertão, casa-se com Adalmária, doutora em Direito, e filha da capital, contudo de orígem “sertaneza”, da qual nascem Rosa Duprado, João Ernesto e João Omar. Enquanto muito trabalha à arquitetura menos vai compondo, sonhando com certa estabilidade econômica (que nunca chegou) para dedicar-se integralmente à música. João Omar, Maestro e Compositor, acompanha o pai desde os nove anos de idade.

Em 1969, sela o caderno da sua primeira ópera, o “Auto do Catingueira”, mais tarde, parcialmente partiturada, face o caráter popular da obra. Durante a década de 70, projetou muito da arquitetura e um pouco mais na música. No começo dos anos 80 inicia a carreira de peregrino menestrel, de viola na mão, errante, de palco em palco pelos teatros do país, conquistando uma pequena platéia composta de poetas, músicos, compositores e de intelectuais de linhagem pura, sem modernosas e, por fim, de simples pessoas do povo, atraídas mais pela linguagem dialetal, a temática sertânica e as melodias fora de moda e (segundo Dr. Raimundo Cunha) indançáveis.

A partir daí, quando já abandonando a profissão liberal e em firmando-se mais fundamente na composição, compõe a Fantasia leiga para um Rio Seco, confiando a escrita orquestral a seu amigo e patrício de sertão Maestro Lindembergue Cardoso, por ainda ser ananota em escrita para orquestra. Em 1983, por ocasião da gravação do Auto da Caatingueira, na Casa dos Carneiros, fazenda onde mora desde 1980, faz sua primeira incursão no universo orquestral, quando partitura a abertura do Auto da Caatingueira para violão, flauta e violoncelo.

A partir de 1984, ainda na fase das canções, começa a esboçar a seqüência das óperas e das antífonas. É quando escreve as antífonas: I – Loas para o justo – para barítono e quarteto misto; II – Balada do Filho Pródigo – para tenor, coro e orquestra; a IV – Meditações a partir de Romanos VII – para coro e orquestra. Em 1993, a XI – Alfa – para violão e orquestra, ou seja, um concerto para violão e orquestra.

As antífonas de números VI, VII, VIII, IX, X, XI Beta e XI Delta estão praticamente compostas, faltando apenas irem para a partitura. Por outro lado e paralelamente às antífonas, a partir de 84, começa também mais propositadamente a fase das óperas, porquanto já estão em partitura. A Carta, ópera em quatro cenas, O Prólogo de O Retirante, ópera em dois atos. As outras óperas, Faviela, O Peão Mansador, A Casa das Bonecas, Os Poetas são Loucos, mas Conversam com Deus, De Nossas Vidas Vaporosas “ensaios”, Os Lanceiros Negros e os Pobres, os Miseráveis e os Desvalidos, já estão quase todas compostas, faltando tão somente serem partituradas.

Ainda em paralelo vem a série dos Galopes Estradeiros, que trata de sinfonias compactas. Desta já se encontra em partitura o primeiro Galope Estradeiro. O segundo, o terceiro e o quarto já estão mais do que esboçados.

Quando deixou a fazenda, a vida na capital lhe foi muito severa. Tanto nos tempos de estudante interno como durante os anos de faculdade, onde nas casas-de-pensão que habitara mal conseguia lugar nos porões, junto a ratos e aranhas. O normal era ir dormir com fome. O pouquinho dinheiro que sua mãe lhe mandava gastava com aulas, cordas de violão, e compras de partituras e livros, o que era escasso e muito caro naquela época.

Numa certa feita, pelos idos dos anos de 1960, durante um rigoroso inverno, quase morre entrevado e à míngua num frio porão de uma casa-de-pensão na Avenida Sete, onde foi valido, abaixo de Deus, por uma estudante de enfermagem, mineira, que lhe dava o alimento de colher na boca, por impossibilidade de movimentar pernas, braços e pescoço gravemente atacados por inesperado reumatismo poli-articular agudo. Lurdinha era seu nome.

Nestas circunstâncias foi forjado o cantor dos “Retirantes”, o poeta de “Os Pobres, os Miseráveis e os Desvalidos”.

O ano que passou em sua terra natal, a serviço da pátria, foi de grande importância em sua formação musical, pois que na convivência de primos, de amigos, poetas e cantores, livre de maiores responsabilidades com os estudos, conheceu de perto a música nacional urbana, a seresta, o samba e o tango argentino. São seus contemporâneos deste gosto: Camilo de Jesus Lima, Euríclides Formiga, Chagas, o seu tão querido tio Valter, brilhante cantor, junto a mais de meia centena de primos e amigos mais ou menos da mesma idade, os quais durante o dia estudavam ou lidavam nas fazendas circunvizinhas. Nas noites, era o declamar Cecéu, recitar Kayan, Lamartine, Rabelo da Silva, Camões e violões e serestas nestas marés, muitas e tantas vezes tentava mostrar suas composições… – “Para, para, para” gritavam. É que sua música nova doía nos ouvidos d’antanho.

Durante o dia, passava roupa a ferro com os seus primos Mouvê e Lupen e o Seu irmão Dima, com o fim de ajudar sua vó “mãe” Neném fazer a feira. Era de extrema simplicidade a casa da vó, que, sempre rastreada pela pobreza, vivia unicamente de aluguéis do pequeno mangueiro onde morava. Durante a semana, e mais nas sextas e sábados, ali na Boa Vista, pousavam tropeìros e viajantes que vinham para as feiras ou passavam pela cidade. Não havia luz elétrica, nem água encanada. Elomar compunha à luz de fifó.

Estas lembranças, estas marcas vivas de todo um passado amargo e alegre, vão permear sua obra por todo o percurso; desde as parcelas e tiranas dos primeiros tempos até as óperas e galopes dos últimos dias.

Atualmente, Figueira Mello já um pouco mais adiantado na estrada, aos seus 63 anos de idade, continua compondo intensamente, varando os dias e as noites sem descanso. No seu labutar, confessa que tem de escrever sem perda de tempo, pois que a obra é imensa e o tempo já declina pela tarde. Já deixou a Casa dos Carneiros, na Gameleira, onde demorou por um bom tempo de sua vida e donde saiu o grosso do ciclo das canções. Ali de volta, pretende concluir sua obra bem longe, bem distante dos mundos urbanos, pois que não só sua obra, como também sua própria pessoa, não é outra coisa senão antagônicos dissidentes irrecuperáveis de sua contemporaneidade tendo em vista sua formação estritamente clássica e regionalista. Daqui leu todos os poetas, escritores e profetas hebreus; leu os mélicos e os clássicos gregos; os latinos, incluindo Esopo e o Fedro; os italianos, franceses, ingleses, espanhóis, russos e, por último, os alemães, tendo, é claro, antes disto perpassado pelos essenciais patrícios.

A partir dos dezessete, já enveredava-se pelas novelas de cavalaria em leituras longas e sonhadoras. Bate-se frontalmente com a chamada arte contemporânea. Horror à dita cultura ( que segundo ele é um DX, salvo o bom cinema) estatudinese da América do Norte, o que lhe traz à lembrança palavras de antigas profecias “sertanezas”, que sentenciaram: “que haverá de chegar um tempo de baixar os muros e levantar os munturos – vivemos o tempo do culto às nulidades. São os minimalismos que estão chegando….”, clama o compositor.

Assim, para Figueira Mello o que importa é concluir suas óperas, antífonas e galopes, pôr tudo em partituras a nanquim e enfardados em campa antiga, guardar o monobloco passageiro do tempo até a estação futura, bem-vinda quadra remota, onde o aguarda uma geração que, por justiça, haverá por certo de ouvir e amar sua música tão fora de moda nestes dias. Ó Tempora! Ó Mores!

A IMPRENSA QUE IMPLORA A LIBERDADE DE IMPRENSA

 

“Maioria da imprensa abriu mão de fazer jornalismo no julgamento do mensalão”

publicada sexta-feira, 22/02/2013 às 17:55 e atualizada sexta-feira, 22/02/2013 às 17:55

 

Por Gabriel Bonis, na CartaCapital

Na cobertura do julgamento do “mensalão”, o jornalista Paulo Moreira Leite foi uma das poucas vozes dissidentes na imprensa brasileira. Em seu blog, então hospedado no site da revista Época, o ex-diretor de Veja, Diário de S.Paulo e da própria Época, cobriu o tema, em suas palavras, de forma “crítica e desconfiada”, evitando o tom meramente condenatório sobre os réus e analisando também as contradições do Supremo Tribunal Federal no caso. “A maioria dos veículos de comunicação abriu mão de fazer jornalismo durante o julgamento e cobriu como se não tivesse mais nada a ser demonstrado”, diz a CartaCapital nesta entrevista. “Esse tipo de senso crítico [ao julgamento] tem valor quando se baseia em fatos, não tem a ver com ser do contra ou a favor.”

Os textos publicados no blog durante o julgamento e outros inéditos se transformaram no livro A outra história do Mensalão – As contradições de um julgamento político (Geração Editorial, 353 págs., R$ 34,90), lançado na terça-feira 19. O trabalho chega às livrarias com uma tiragem acima da média no Brasil, em um mercado aquecido por ao menos outras duas recentes obras sobre o tema.

“Isso mostra como as pessoas ainda querem entender o que aconteceu. Elas vão ler e reler o que conhecem sobre o caso. Querem refletir mais profundamente, porque não foi um julgamento qualquer. A sua repercussão sobre a Justiça e a política brasileira ainda precisa ser avaliada.”

CartaCapital: O seu blog se destacou por uma cobertura mais independente. Como foi a recepção? Recebeu muitas críticas negativas?
Paulo Moreira Leite: A recepção foi boa e a audiência cresceu muito, às vezes 500%. As pessoas não necessariamente concordavam com o que eu escrevia, mas sentiam que expressava um ponto de vista importante para o debate. Falava com leitores curiosos, com espírito crítico bastante acentuado e que não acreditavam em tudo o que ouviam.

CC: Essa abordagem diferente da mídia em geral foi algo importante na cobertura deste caso?
PML: Sim. Esse tipo de senso crítico tem valor quando se baseia em fatos, não tem a ver com ser do contra ou a favor. No caso, quando se lê os documentos disponíveis, o relatório da Polícia Federal sobre o caso anexado no processo, se conversa com a defesa e vê as alegações finais das partes, percebe-se que é um processo com contradições. Está longe de ser uma denúncia amarrada. É uma questão intelectual e profissional do jornalista examinar, pensar e não ter receio de desagradar quem quer que seja desde que esteja convencido, como estou, de que está expressando a verdade.

CC: Houve alguma pressão editorial em relação ao conteúdo do blog?
PML: Não. Mas tenho certeza que não expressava a posição unânime de leitores. No meu blog, há muitos comentários agressivos. No entanto, ele cresceu e virou uma referência no debate.

CC: O fato de ser um blog ajudou no enfoque escolhido para a cobertura?
PML: O blog permite que as pessoas compartilhem o que leram de forma instantânea. Isso é importante, torna a leitura focada, pois vai ler quem quiser saber sobre aquele assunto. Mas não sei se haveria mais ou menos eco se fossem outras mídias, como um grande jornal ou televisão.

CC: Pouco tempo após o fim do julgamento já há alguns grandes lançamentos de livros sobre o caso. O que o senhor acha dessa tendência?
PML: Esse mercado mostra como as pessoas ainda querem entender o que aconteceu. Elas vão ler e reler o que conhecem sobre o caso. Querem refletir mais profundamente, porque não foi um julgamento qualquer. A sua repercussão sobre a Justiça e a política brasileira ainda precisa ser avaliada.

CC: No prefácio do seu livro, Jânio de Freitas diz que parte dos jornalistas que cobriram o caso “enveredaram por práticas que passaram do texto próprio de comentário jornalístico para o texto típico da finalidade politica, foram textos de indisfarçável facciosismo”. O senhor concorda com isso?
PML: A maioria dos jornalistas e veículos de imprensa achou que estava tudo demonstrado e que a culpa de todos estava provada, como se não houvesse um trabalho para fazer sobre o julgamento, a qualidade das provas ou da acusação – que era muito mais frágil do que as pessoas supunham. A imprensa assistiu ao julgamento e contratou advogados, que muitas vezes tiveram papel mais importante que os repórteres. Algo engraçado, pois as pessoas leem o jornal para ver uma investigação, uma apuração. E a maioria dos veículos de comunicação abriu mão de fazer jornalismo durante o julgamento, cobriram o caso como se não tivesse mais nada a ser demonstrado. Mas, ao ver os autos em busca do contraditório, não ó que aparece. O que a Polícia Federal investigou é diferente daquilo que o Ministério Público aponta. Para o MPF e Joaquim Barbosa [relator do caso no STF] os empréstimos do Banco Rural ao PT, que José Genoíno assinou, eram fraudulentos. A PF investigou e concluiu que eram verdadeiros e a partir deles saiu dinheiro para o esquema. E isso muda muito a história.

CC: Qual foi a maior contradição do julgamento?
PML: São várias, mas a maior é apontar a tese de que o mensalão era um sistema de compra de votos e não conseguir indicar um único caso concreto em que se comparam votos. Não foi preciso comprar votos para apoiar nenhuma das reformas do governo, que passaram com larga margem, inclusive com o voto da oposição. No caso da Previdência, que era uma continuidade de uma reforma do governo do PSDB, o bloco governista era tão forte que o governo excluiu petistas que se recusaram a votar na reforma.

CC: O que precisa ser desmistificado neste julgamento?
PML: Banqueiros foram condenados a penas duríssimas, mas nenhum deles concentra o poder econômico do Brasil. Não é o Banco Rural que detém o poder financeiro do País, é um banco secundário. Os políticos que foram condenados são historicamente perseguidos pelo aparelho policial, seja no regime militar ou agora. Não são os homens públicos e poderosos. São pessoas de um governo específico, que representa uma força social específica. Os banqueiros de ponta que apareceram com grandes operações no ‘mensalão’, e que participaram das privatizações, não foram sequer levados a julgamentos ou no mínimo arrolados.

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AGORA FALANDO SÉRIO

EU ESCREVO CORRENDO

Eu escrevo correndo
Correndo como é a minha vida!
Vida de sonhos, sonhos, sonhos…
Eu escrevo correndo
Como são meus amores
Sonhos, sonhos, sonhos…
Eu escrevo correndo
Correndo como é a minha vida
Às vezes vida bandida
Às vezes pedindo guarida
Muitas vezes sofrida.
Eu escrevo correndo
Numa calma sem precedentes
Eu escrevo correndo
Como hoje em dia
Mas, com uma grande saudade.
Dos dias de onde eu vim!
CHICOSFERREIRA
13/10/06

COMO É A HISTÓRIA DA CENSURA MESMO?

Vitória da vergonha: Folha consegue manter censura do blog Falha de S.Paulo

Por Felipe Rousselet, em seu blog

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu nesta quarta-feira ,20, que o blog Falha S. Paulo deve continuar fora do ar. O blog, criado pelos irmãos Mário e Lino Bocchini, era uma divertida paródia do jornal Folha de S.Paulo e brincava com os recorrentes erros da publicação.

censura blog falha folhaSátira do blog Falha de S.Paulo, retirado do ar pela justiça após ação do grupo Folha (Foto: Reprodução)

A decisão de manter a CENSURA ao Falha de S.Paulo deixou de lado todo o debate sobre liberdade de expressão e se baseou apenas nas leis de Mercado. O desembargador Edson Luiz de Queiróz manteve o blog fora do ar com a justificativa da similaridade entre o nome Falha de S.Paulo e a marca registrada pela Folha de S.Paulo.

Além de um caso óbvio de censura judicial, a manutenção da CENSURA ao Falha de S.Paulo abre um precedente perigoso para a liberdade de expressão, principalmente em relação a sátira e a ironia.

Por exemplo, que se cuide o programa Pânico da TV, exibido pela TV Bandeirantes. Ao satirizar novelas da Globo, o humorístico costuma utilizar-se do mesmo recurso utilizado pela Falha de S.Paulo. Um quadro que faz uma paródia da novela Salve Jorge, da TV Globo, chama-se Salve George. Todo cuidado é pouco de agora em diante. A não ser que o que se fez com a Falha só seja utilizado contra veículos de comunicação que não se alinham à pauta dos veículos de comunicação dominantes.

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Este blogueiro faz coro as palavras do relator especial da ONU para a liberdade de expressão, Frank La Rue, sobre o caso Falha x Folha: “É interessante esse uso da ironia que vocês fizeram usando as palavras Folha e Falha. Uma das formas de manifestação mais combatidas hoje em dia, e que deve ser defendida, é o jornalismo irônico”, disse em visita ao Brasil.

Este julgamento transformou uma questão de liberdade de expressão em um debate comercial com um único objetivo: calar os críticos do jornalão da família Frias. Ou alguém consegue ser ingênuo o suficiente para acreditar que o que incomodou a Folha foi a questão comercial, a similaridade do seu nome com o domínio de um blog sem nenhuma publicidade ou outra modalidade de retorno financeiro?

A vitória da Folha é a vitória da CENSURA. Mas para um veículo de comunicação que colocava seus carros à disposição dos órgãos repressores e que hoje em dia ainda diz que vivemos naqueles dias uma ditabranda, isso não deve representar muita coisa.

O post Vitória da censura: justiça impede paródia à Folha apareceu primeiro em Pragmatismo Político.

A EXISTENCIA DE DEUS POR LUIS FERNANDO VERISSIMO

Escritor Luis Fernando Verissimo comenta a ‘existência de Deus’

Posted: 21 Feb 2013 11:55 AM PST

Escritor Luis Fernando Verissimo comenta o poder de uma mera suposição, a existência de Deus

O escritor Luis Fernando Verissimo, 76, se mostrou admirado com o poder da uma mera suposição, a da existência de um deus, que tem desafiado até agora todos os parâmetros da razão.

Como exemplo da resistência dessa suposição, ele citou uma “empresa multinacional”— a Igreja Católica — que persiste há mais de 2.000 anos.

escritor luis fernando verissimo deusEscritor Luis Fernando Veríssimo comenta o poder de uma suposição: a existência de Deus (Foto: Reprodução)

A hipótese de Deus não tem inspirado as religiões a serem muito religiosas”, disse Verissimo em crônica publicada na semana passada no jornal O Globo.

Em 2012, Verissimo ficou internado 24 dias, metade deles na UTI, com infecção generalizada. Depois, em uma entrevista, o escritor disse que a “morte é uma sacanagem, sou contra”

Segue abaixo a íntegra da crônica onde ele fala sobre as consequências da suposição da existência de um ente divino.

Deus hipotético

Por Luis Fernando Verissimo, em O Globo

Um religioso dirá que não faltam provas da existência de Deus e da sua influência em nossas vidas. Quem não tem a mesma convicção não pode deixar de se admirar com o poder do que é, afinal, apenas uma suposição.

A hipótese de que haja um Deus que criou o mundo e ouve as nossas preces tem sobrevivido a todos os desafios da razão, independentemente de provas.

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Agora mesmo assistimos ao espetáculo de uma empresa multinacional às voltas com a sucessão no comando do seu vasto e rico império, e o admirável é que tudo — o império, a riqueza e o fascínio dos rituais e das intrigas da Igreja de Roma — seja baseado, há 2000 anos, em nada mais do que uma suposição.

Todas as religiões monoteístas compartilham da mesma hipótese, só divergindo em detalhes como o nome do seu deus. E todas têm causado o mesmo dano, em nome da hipótese.

Não é preciso nem falar no fundamentalismo islâmico, que aterroriza o próprio islã. Há o fundamentalismo judaico, com sua receita teocrática e intolerante para a sobrevivência de Israel.

O fundamentalismo cristão, que representa o que há de mais retrógrado e assustador no reacionarismo americano, e as religiões neopentecostais que se multiplicam no Brasil, quase todas atuando no limite entre o curandeirismo e a exploração da crendice.

A Igreja Católica pelo menos dá espetáculos mais bonitos, mas luta para escapar do obscurantismo que caracterizou sua história nestes 2000 anos, contra um conservadorismo ainda dominante. A hipótese de Deus não tem inspirado as religiões a serem muito religiosas.

Há aquela parábola do Dostoievski sobre o encontro do Grande Inquisidor com Jesus Cristo, que volta à Terra — o filho da hipótese tornado homem — para salvar a humanidade outra vez, já que da primeira vez não deu certo.

Os dois conversam na cela onde Cristo foi metido por estar perturbando a ordem pública, e o Grande Inquisidor não demora a perceber que a pregação do homem ameaçará, antes de mais nada, a própria Igreja, a religião institucionalizada e os privilégios do poder.

Não me lembro como termina a parábola. Desconfio que, se fosse hoje, deixariam o Cristo trancado na cela e jogariam a chave fora.

Paulopes e Jornal O Globo

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NA HORA DO ALMOÇO

NA HORA DO ALMOÇO

Alguns pingos de chuva ainda estão por aqui…
Aqui na saudade…na lembrança….
Hoje tentei lembrar do seu rosto e na lembrança só o meu rosto aparece….
Cada vez mais distante está a sua face….
Mas mesmo assim estou fazendo um esforço….é impossível sumir assim…
Mas lembro da sua silhueta….essa nunca me sai da memória…
E é impressionante…como ela sempre está de lado…e num movimento de quem vai indo embora…
E mesmo sabendo que essa silhueta é sua…me vem a minha vontade insuportável de partir…
Partir porque é hora…
Partir porque está na hora…
Partir porque
Partir porque…
Nem quando não tenho mais motivo…o meu motivo é partir!!!!!!!!!!!!!!